segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Hip Hop Feminino

«É claro que o Hiphop é um contexto muito masculino e em que as mulheres são uma minoria que ainda procura o seu espaço, mas acreditamos que à medida que forem aparecendo mais mulheres, muitas outras seguirão o exemplo, da mesma forma que se a qualidade do que é feito for também aumentando, a têndencia é para que melhore cada vez mais.»

Sygyzy em entrevista ao blog Assalto Sonoro (18 de Junho de 2006)

O que me inspirou a escrever este artigo foi o lançamento da Mixtape “Martataca” da MC M7. Soube desta notícia a partir do blog da Nicolau. Fiquei também a saber que esta pertencia a um grupo, Sygyzy, constituído por quatro elementos: duas MC’s, uma cantora e um DJ (coitado do gajo… ou talvez não lol). A outra MC, de nome Capicua, tinha lançado por sua vez o “Capicua Goes Preemo Vol.1” em finais de 2008. Bem, de tudo isto, a única coisa que eu já tinha ouvido falar era do nome do grupo. E isto porque vi o banner no H2Tuga (nem sequer sabia que tinha esta característica especial de incluir MC’s femininas). Isto porque, como vos disse no post anterior, durante os últimos dois anos, dois anos e meio, estive praticamente só concentrado na cena internacional (nomeadamente norte-americana). Aproveito para comentar que 2008 foi um ano em cheio em termos de lançamentos.

Bem, então lá fui eu sacar as músicas destas duas MC’s. Confesso que não sabia o que esperar, mas seja o que fosse, superou as expectativas e não há dúvida que de algum modo estas duas MC’s já conseguiram inovar no Hip Hop Tuga. E é interessante verificar que as duas são bastante diferentes uma da outra: a Capicua é mais calma, ponderada, mostrando-se um pouco indefesa até. A M7 tem a força da “mulher do século XXI” misturada com uma característica, que eu até concordo com a Nicolau que seria mais difícil encontrar noutro lado que não no Norte, aquilo a que se chama ser uma “mulher do Norte” (acho que a expressão disto tudo). Um exemplo? O que é que é pior: arranjares sarilhos com um guna ou com uma velhota daquelas do Bolhão?...
Contudo, notem que não se pode dizer que uma é mais feminina que outra. Ambas o são, e é com agrado que constato que nem a Capicua caiu no “erro” de cair para o R&B (Dama *cof* Bete) nem a M7 caiu no erro (sem aspas) de se masculinizar. E no entanto uma faz músicas de amor de uma maneira inegavelmente feminina e a outra faz músicas de egotrip com alguma punchlines bem duras.

É um exercício interessante descobrir as inúmeras diferenças entre o rap feito por estas duas raparigas e aquele que todos conhecemos (o masculino). Tal como os MC’s masculinos costumam dirigir-se a um ouvinte masculino (ainda que, dada as regras da gramática, possam ser ouvintes no geral), estas duas dizem coisas como “amiga, como tu, tenho medo da rejeição”.

Resumindo, a nota é positiva. No entanto há que advertir que, se o objectivo final for a igualdade entre sexos na cultura Hip Hop (uma batalha nada fácil), haverá sempre obstáculos dificilmente ultrapassáveis. Exemplo: há músicas da Capicua e da M7 que dificilmente alguém do sexo masculino se identificará com o assunto, o mais provável é até rejeitar com uma careta (lol). Nunca tinha pensado nisso de outra perspectiva, mas também de certeza há (e numa quantidade avassaladora comparativamente com o outro lado) de músicas (portuguesas e outras, claro) com temas mais masculinos que talvez o sexo feminino não entenda ou não se interesse por. A pergunta é: como se resolve isto? Ou não se resolve?

É que se eu fizer uma música sobre bitches e hoes, isso dificilmente se traduzirá num obstáculo na hora de obter um sucesso na bilheteira, mas uma versão feminina, pelo menos enquanto o Hip Hop não conquistar mais público desse sexo, é bem capaz de ser rejeitada.

Se o percurso for percorrido eficientemente, e dada a enorme carência, acredito que é uma questão de tempo até que apareça uma MC portuguesa que inove de uma maneira brutal (se é que não é nenhuma das duas). Há uns anos, eu lembro-me que até se falavam numas quantas: as Lweji, a Sky, as Backwords (pelas quais eu até tinha uma certa admiração) etc, etc. Entretanto, parece que se manifestaram tanto quanto o site da Hip Hop Ladies, ou seja, morreram.

Mais uma coisa: sem dúvida que a melhor MC feminina para mim (e do que eu conheço) é a Jean Grae. Tem um flow e uma escrita que igualam o de muitas lendas masculinas. Porém não tem nenhuma fixação por “agredir” o sexo masculino. Será porque o caminho, por algum motivo, lhe foi facilitado? Se foi, então palmas para o responsável. O que é certo é que acredito que é um modelo a seguir para as MC’s femininas (mas não lhe copiem o estilo! lol).

Agora, não sei se repararam, mas eu pus o título “Hip Hop Feminino” e não “Rap Feminino”. Que eu saiba, a carência do sexo masculino é notável nas quatro vertentes: no breakdance, acho que ainda há grupos que até já têm algum respeito (mais a nível internacional); no graffiti não faço a mínima; DJ’s nunca vi (ou se vi deu-me uma branca); MC’s já referi antes. Dado que percebo muito mais da vertente do Rap do que das duas primeiras, também seria difícil conhecer muitas b-girls e writers femininas. Deixo a análise das outras vertentes para vocês.

Lembrar também que isto tudo está no início, e não se deve exigir demais, ou como a M7 repete umas cinco vezes na Mixtape dela:

«Não se constrói uma casa a começar pelo telhado»

M7 - Intro in Martataca (2008)

Para sacarem as músicas vão à secção “Downloads do Guia de Hip Hop na Internet.

domingo, 18 de janeiro de 2009

CR - O Regresso

AVISO!
O comprimento deste post é prova do nível de inspiração que o autor tem para voltar ao activo.

Ora bem, cá estou de volta. Começo por realçar que irei pôr os posts que faltam no mês de Dezembro de 2008. Foi um ano difícil, este. Juntamente com muita preguiça, falta de tempo e de inspiração, acabou por resultar neste “buraco” nos arquivos do CR. Para além disso, ainda tive um “problemazito” que me fez perder montes de coisas que tinha guardadas em suporte digital, principalmente devido à minha estupidez. Entre elas, claro está, encontravam-se uns quantos posts já escritos para serem futuramente expostos no blog. Felizmente, umas semanas antes do acidente, tinha andado a passá-los pró papel, logo não deviam estar assim tão diferentes do que os que tenho guardados.

Enquanto andava a organizar de novo as cenas que tenho guardadas do blog, fui relendo os comentários que foram feitos aos meus textos desde o início, e creio que isso me deu bastante motivação. No entanto, dada a falta de comentários nos últimos posts, pergunto-me se algures pelo meio os meus tópicos terão perdido interesse. Admito que talvez não estivessem tão cuidados (ou elaborados) como os anteriores. Vocês, caros leitores, dir-me-iam quando puderem.

Prosseguindo, o facto de não ter postado nada não quer dizer que não tenha pensado no blog no ano de 2008, e reflecti um pouco no caminho que ele estava a tomar. O meu blog não é pessoal, e eu apenas escrevo um tipo especial de textos, que são aqueles assuntos dos quais eu gostava de ouvir outras opiniões. Decidi começar a ser um pouco mais informal daqui em diante, sem abandonar de todo a linha que caracteriza o CR. Além disso, se me apetecer mesmo pôr um post que não está relacionado com a filosofia do CR (ex: assuntos que não tenham directamente a ver com Hip Hop), posso sempre criar um outro blog ou um anexo.

Reparem que andei (e ainda ando) a actualizar o Guia da Internet. Espero que esteja a ser útil. Ainda, provavelmente já notaram (e ainda mais provavelmente, já se esqueceram) de que eu não pus aqui nenhum post do tipo “Convidado”, que supostamente seria para alguém que não eu escrevesse qualquer coisa para o blog. Não sei se porque peço de mais, ninguém me liga ou por azar todos os e-mails para onde envio convites estão como que mortos, a verdade é que não tenho conseguido nenhum progresso. Por isso, esse tipo de post está oficialmente “suspenso” até eu decidir tentar de novo.

Queria também anunciar que brevemente irei pôr online as rimas que já faço a alguns anos. Como nunca trabalhei com nenhum produtor, vão estar em acapella (ou talvez lhes ponha uma batida por baixo para disfarçar). Esperemos que algum produtor se interessa por aquela “obra-de-arte”. Qualquer pessoa, como um MC de que tenha falado mal ou assim, que se queira vingar de mim pode fazê-lo no meu Myspace. Nota: a “música” que lá está foi para dizer que tenho alguma coisa. Não tenho experiência de produção, só não queria era deixar aquilo sem nada.

Outra coisa que se passou em 2008 (embora não tenha começado nesse ano) foi o meu isolamento do hip hop tuga. Desde há uns três anos para cá, tenho estado concentrado mais no hip hop estrangeiro, principalmente o norte-americano, não dispensando qualquer tempo para me actualizar sobre o que se passa na Tuga. De maneira que há muitas coisas que muita gente já sabe e eu só descobri há uns dias, depois de começar a investigar um pouco na Internet. Aproveito para abordar alguns dos assuntos mais recentes.

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VIDEOCLIP “DOPPING” DO SAM THE KID
Há uns dias fui ao blog do Primouz e encontrei o último videoclip do Sam The Kid, “Dopping”, uma música que ainda não conhecia, e que presumo vir da reedição do álbum Pratica(mente) (à parte: grande cena essa da reedição, lixou-me bem, o STK lol). Ora a música até está boa, mas o videoclip, sinceramente… Aquilo nem é não conseguir ser um bom videoclip, é ser mesmo mau videoclip: primeiro, é muito banal, não acrescenta nada de significativo à música; segundo, é destas festas com paredes luminosas que dão bem para aparecer na Lux. Se não fosse o STK ser talvez o meu MC/produtor português favorito (dado que utilizei o adjectivo “favorito”, bem que me podem acusar de favoritismo) isto ainda seria um pouco mais duro. Para finalizar, uma pergunta: imaginem que não conheciam o STK, e que este era o primeiro videoclip (e já agora, a primeira música) que viam/ouviam dele. Qual era a vossa impressão?

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MAMÃ, ESTOU NO YOUTUBE!
Descobri, anteontem, que sou uma vedeta no YouTube. Ná, pronto, só apareci em dois vídeos, num deles em terceiro plano, no outro no meio da multidão, e não é nenhuma surpresa o facto de aparecer lá. O primeiro foi num vídeo do concerto espectacular do Marcelo D2 na Casa da Música; o segundo é um vídeo (descoberto também no Primouz) sobre o festival “HipHoPorto 2008”, também na Casa da Música. Por isso para tornar o final deste post divertido, e para compensar os leitores do aborrecimento que foi ler isto tudo, proponho um jogo. Vocês têm que adivinhar quem é que eu sou. E decidi que as regras são estas:
- Tempos:
> Concerto Marcelo D2 – mais ou menos 1:09 (altura em que fico mais centrado)
> HipHoPorto 2008 – 1:54 (logo, logo, logo)
- Ajuda: comecem pelo segundo vídeo. Aos 1:54 (logo, logo, logo) conseguem-se perceber 6 pessoas. Tentem reconhecer alguma dessas pessoas no primeiro vídeo (muahaha).
- Objectivo: descrever onde eu estou situado na imagem do segundo vídeo (aos 1:54).
- Prémio: uma chicla Bubblicious com “sabor a Hip Hop” (se isso ainda existir – esse sabor, não o Hip Hop).
- Comentário final: dado que é praticamente impossível para quem não conheça a minha cara, eu até apostava 1 milhão de euros, mas sou um tipo cauteloso. Boa sorte!
Warning
Não é válido para nenhum dos espertos que me conhece, obviamente.

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SÓ MAIS UMA.. DUAS CENAS!
Não me perguntem como foi o concerto do Gabriel o Pensador no Enterro da Gata, porque não fui. Melhor: comprei o bilhete, mas não fui. Quando penso nisso, ainda fico deprimido. Pelo que ouvi dizer na altura, foi muito bom.
Comprei ontem o último álbum dos Looptroop (agora Looptroop Rockers) de 2008, que dá por nome de Good Things. Surpreende-me que nenhum blog de hip hop tuga (dos que eu visito) tenha falado nele, em especial este e este (então como é que é?! lol).
Ah, um extra: ainda bem que o autor do Piecemaker já voltou. É pena é que já tenha abandonado o blog outra vez lol

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Ora bem, acho que é tudo. Não abuso mais da vossa paciência. Como podem observar, eu estruturo tão bem os meus textos, que tanto a introdução como a conclusão começam com a mesma expressão: “ora bem”. É de aplaudir esta repetição propositada (ou então simplesmente porque não me dei ao trabalho de pôr outra expressão equivalente). Abraço a todos (“abraço” porque dá para os dois géneros) e comentem!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

CR - 1 Ano Depois...

EDIT: Este post faz parte dos que foram publicados com atraso, sendo concluídos apenas em Janeiro de 2009, embora pertençam a Dezembro de 2007. No entanto, o autor concluí-os como se não tivesse havido atraso algum (e ainda estivesse em Dezembro de 2007). Este post em concreto, foi pensado ainda quando os primeiros textos ainda estavam a ser publicados neste blog, mas apenas concluído também em Janeiro de 2009.

Um ano depois de ter criado este blog, confesso que estou satisfeito com o resultado.

Ao princípio, não sabia bem durante quanto tempo ia durar, ou sequer a quem me queria dirigir. Dado que achei que talvez não tivesse grande divulgação, achei que também não valia muito a pena pensar nestes assuntos. Era o meu blog, e acabava aí. Despejava para aqui os assuntos sobre os quais gostava de saber outras opiniões, mas que não tinha oportunidade de o saber de outro modo pois não convivia diariamente com pessoas que partilhassem esta paixão tanto como eu.

Comecei por divulgar o blog nos fóruns (nos quais tinha sido viciado a algum tempo atrás). Tive 5 comentários no primeiro post (sem contar com o meu), e para mim isso foi muito bom. E deu-me pica. À medida que postava, ia “afinando” a filosofia do blog, construindo o seu carisma, ou como comentou o André Silva num dos tópicos, «fazendo algo à sua própria imagem».

Fui tendo mais leitores, comentários de outras pessoas, algumas até de Braga, para minha surpresa. Achei que talvez conseguisse ter o meu próprio lugar, e dado que não havia (e ainda não há) assim tantos blogs sobre hip hop tuga (principalmente), continuei na minha aventura.

Ia escrevendo, no computador ou à mão, os meus posts, tirando notas sobre as entrevistas que lia, as notícias de que tinha conhecimento, gravando emissões do Nação Hip Hop que achasse que me seriam úteis para mais tarde. Ao mesmo tempo fui expandindo o blog noutras direcções, de que são exemplos os anexos do CR. Estes seriam formas de ajudar o leitor a ter a informação completa sobre aquilo que eu escrevia. Todas estas coisas ajudaram a que o blog ficasse mais forte, mas uma coisa fica clara: o blog não seria nada disto se não fossem as pessoas que me foram ajudando a passar todas as etapas até que ele se tornasse o que é agora. A essas pessoas, aqui vão os meus agradecimentos:

À Joana Nicolau pelo imenso auxílio tão fundamental que me prestou, em diversos aspectos do blog; ao A.Silva e ao P.Silva pelos conselhos e elogios (e dos primeiros!); a estes três e ao resto da já desintegrada equipa IV STREET (R.I.P.) pelas duas oportunidades que tive de participar na revista (sem dúvida o ponto máximo do meu trabalho como estrofe).

Ao PM e ao seu animado blog Hip Hop Excêntrico.

À Footmovin por ter autorizado que a sua música fosse incluída na playlist do blog.

À Equipa XLRap.

Aos outros blogs que aqui já estavam quando eu cheguei e que me fizeram sentir acompanhado (por ordem alfabética): Assalto Sonoro, Fonocaptador, Hit Da Breakz, Horizontal Records, Piecemaker e Suburbano; E ao DarkSunn e o seu blog Reality Break Records que entretanto nasceu (e cresceu).

À Sofia Meireles, Filipe Nunes e o resto da equipa H2Tuga, muito obrigado pela paciência, ajuda nos problemas técnicos do blog e oportunidade de estar conectado com o melhor site de hip hop tuga (sem dúvida!).

Ao Hip Hop Web (que esperemos que regresse).

Por último, last but not less, queria agradecer aos meus estimados leitores por terem lido os meus posts e reflectido sobre o seu conteúdo.

Daqui para a frente, é sempre a dar-lhe!

Chegamos à parte que foi pensada há quase um ano atrás, e para acabar de forma emocionante. A todos:

Obrigado, Sinto-me [enaltecido, vá]
Sem ti nada disto era real
Eu sou a rima e tu o instrumental
(…)
É [pela tua persistência]
Q’ainda existe o [Cultura de Resistência]
Mais uma vez obrigado
Sinto-me [elogiado]
Obrigado por ouvires tudo o que tenho a dizer
Tudo o que escrevi, tudo q’ainda hei-de escrever, obrigado

Boss AC - Sentir Tão Bem in RAP - Ritmo, Amor e Palavras (2005) (excerto adaptado)

Esperemos que o AC não se zangue. Afinal isto é só o blog de um puto que é parvo :D

Fiquem bem.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Polémica - Portugueses a Cantar em Inglês? (1 de 2)

EDIT: Este post faz parte dos que foram publicados com atraso, sendo concluídos apenas em Janeiro de 2009, embora pertençam a Dezembro de 2007. No entanto, o autor concluí-os como se não tivesse havido atraso algum (e ainda estivesse em Dezembro de 2007).

«O Hiphop é provavelmente a cultura internacional mais nacionalista»

Nicolau - “Qual Hiphop vs Metal?in Hiphop Kulture (28/12/2006)

Odeie-me quem quiser, mas eu não tenho qualquer problema em desenterrar assuntos (como já vem sendo hábito neste blog) que para muita gente são do passado. Na verdade, só vejo vantagens. Tenho acesso a opiniões bastante divergentes, conseguindo assim comentar algumas delas e rematar com a minha.

Para escrever este tópico, houve três fontes que achei bastante relevantes: o texto do Valete no blog da Horizontal, intitulado “Fernando Cabeça-na-Lua”; a entrevista do Sam The Kid ao Rui Miguel Abreu no Nação Hip Hop (a qual gravei em cassete); o post da Nicolau sobre esta polémica no seu blog.

Para desmistificar certas crenças que algumas (não digo a maioria) pessoas têm, há que começar por referir que esta discussão NÃO começou com a música “Poetas de Karaoke”. Já existia dentro do hip hop tuga e já existia fora do hip hop tuga. A diferença é que muitas pessoas entenderam a mensagem desta música como um ataque de um artista (Sam The Kid) de um universo específico (o Hip Hop) a outro artista (mais propriamente, artistas: os Moonspell) de outro universo (o Heavy Metal). Depois começou-se a generalizar, e a comunicação social andou a esfregar as mãos com títulos do género: “Hip Hop vs Heavy Metal” e sabe-se lá que mais. Voltemos à raiz do “problema”.

O Sam The Kid lançou em 2006 o Pratica(mente) cujo o single se chama “Poetas de Karaoke” , apresentado como um “protesto contra os músicos portugueses que cantam em inglês” (STK justificou ter escolhido a música como single afirmando que é um assunto sobre a Música). A partir daqui, a coisa descambou.

Vou tentar relatar-vos como tudo aconteceu (espero ser fiel à ordem cronológica dos acontecimentos): certos fãs de heavy metal ouviram o nome “Moonspell” na música do STK e interpretaram a mensagem da maneira errada (mais à frente explico porquê); a polémica ganhou força, os jornalistas deram conta e foram questionar o vocalista dos Moonspell, um tal Fernando Ribeiro, o qual respondeu aos comentários com uma crítica ao STK e ao Hip Hop Tuga em geral. Foram estas as suas declarações ao jornal Correio da Manhã:

«Ficámos tristes e desiludidos. Custa-nos ver músicos como o Rui Veloso pactuarem com um vídeo que, apesar de defender a nossa língua, é agressivo e completamente americanizado... (…) A comparação feita com o nome dos Moonspell é infeliz. Fizemos mais por Portugal do que qualquer banda de hip-hop. Levámos para fora poetas como Pessoa, Cesariny, José Luís Peixoto. Já gravámos em português. A nossa música tem muito mais portugalidade que o hip-hop. Cantamos em inglês porque essa é a língua de comunicação no Heavy»

- Fernando Ribeiro (Moonspell) in Correio da Manhã (Data: ???)


As declarações do STK no mesmo artigo:

«Até os admiro muito por tudo o que conseguiram. Esta canção é um alerta aos músicos que cantam em inglês para vender mais... Afinal, a Dulce Pontes e os Madredeus, que também refiro na canção, internacionalizaram-se, mas em português. (…) Canto hip-hop e, se calhar, até sou mais americanizado que o David Fonseca, que canta em inglês. Foi por isso que também me caricaturei. Sabia que iam pegar por aí.»

- Sam The Kid in Correio da Manhã (Data: ???)


Vou começar por falar da polémica. Na minha opinião, e pelos vistos está certa, dadas os comentários do Sam The Kid, não só ao Correio da Manhã como a uma série de outras entrevistas, ele não queria atacar os Moonspell. Vou-vos mostrar os versos em questão:

Querem ser os Moonspell querem novos horizontes

Mas aqui o Samuel é Madredeus é Dulce Pontes
Porque há uma identidade, vocês são todos idênticos
São autênticos mendigos vendidos por cêntimos

Acho que aquilo que despoletou esta polémica menor (dentro da polémica maior que é a discussão de se cantar em inglês ou não) foi as pessoas terem ignorado aquela parte do primeiro verso que diz “querem ser”. Se riscarem isso e voltarem a ler, realmente assim parece que o STK está a atacar os Moonspell. Só que essa parte faz toda a diferença! Se calhar se as pessoas lessem mais não teriam tantos problemas em interpretar o que outras pessoas escrevem.

«Querem ser os Moonspell». Quem? Bem, os Moonspell não são de certeza, pois que sentido faz que queiram ser eles mesmos se já o são? Para saber a quem o Sam The Kid se está a referir, tem que se ler a letra toda: o STK refere-se às pessoas que cantam em inglês tendo em vista o sucesso (especialmente o financeiro: “são autênticos mendigos vendidos por cêntimos”).

Para lerem o excerto da entrevista que transcrevi de cassete, com muito suor, para papel, ou melhor dizendo, para um documento Word, basta clicar aqui. Foi a primeira vez que fiz algo do género, e como vocês também poderiam notar se o tivessem feito, é muito diferente quando é uma entrevista dada na rádio ou para um jornal, isto porque num jornal eles “limpam” tudo, ou seja, aquelas repetições ou palavras desnecessárias (não me entendam erradamente, não estou a falar da censura) que as pessoas normalmente acabam por dizer numa entrevista oral (tal não sucede se for dada por e-mail ou Messenger). Contudo, decidi não limpar nada, incluindo, por exemplo, os “…, ‘tás a ver?” do Sam The Kid, pois dão um aspecto ligeiramente cómico à entrevista. Eu tinha a entrevista no IMEEM, mas dado que foi o IMEEM desapareceu, criei um blog para postá-la. Depois pensarei numa solução melhor.

Em breve a continuação, para responder à verdadeira questão…

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Tipos de MC's

«Todos quieren jugar / Hacerse escuchar, destacar y rimar»

Nach - “Tipos de MC's in Ars Magna (2005)

Para quem ainda não ouviu a música (que já não é novidade), recomendo vivamente que a ouçam.

O Sam The Kid tem uma justificação para não pôr as letras das suas músicas no livrinho que acompanha os seus discos: acha que cada um deve interpretar o que ele diz à sua maneira. E eu concordo. O que não impossibilita necessariamente que se forneçam as letras, até porque a sua ausência pode suscitar mal-entendidos, tal como aconteceu com a “Poetas de Karaoke”. De qualquer modo, vou explicar aqui o que me interessou nesta música do Nach que acho tão actual, e espero assim sublinhar a sua importância.

Nach separa dez tipos de diferentes MC’s, caracteriza-os individualmente e indica os defeitos de cada um. No fundo, isto é um grande ataque a muitos MC’s que se copiam todos uns aos outros. Ouvindo a música, lembrei-me de nomes para associar a alguns tipos.

Ouçam e comentem.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

CR - Apresentação Acabada!

Ora bem, trago boas notícias: a Apresentação já está acabada. No entanto só vale a pena dar uma olhadela quem não tiver lido este blog desde o princípio, já que muitas coisas já foram ditas nos posts. Peço a toda a gente, tenha ou não já comentado aqui, para deixar uma mensagem no guestbook sobre o CR, de preferência positiva (olha que eu sei onde é que moras, moço!).

Segunda boa notícia: em Dezembro pretendo postar 5 tópicos em vez dos habituais 3, de forma a compensar as faltas nos meses de Julho e Agosto. Por isso, mantenham-se atentos (e esforcem-se por comentar).

Bem, estas eram as novidades, agora aproveito para relembrar a todos que podem enviar um e-mail para cr_email@sapo.pt para ficarem inscritos na newsletter e assim serem avisados de todos os posts que eu vou pondo.

Torno a avisar também que o Guia de Hip Hop na Internet está em actualização contínua, não só no que respeita aos links dos sites e blogs (nacionais e internacionais) mas também os vídeos (clips e outros diversos). Sinceramente, acho que está muito bom e recomenda-se. Há um canal do CR no YouTube, que para já apenas contém oito vídeos, mas em breve esse número irá crescer, irei até se calhar criar uma outra playlist para os videoclips estrangeiros.

Agradeço a todos os meus leitores pela dedicação e um especial obrigado a todos os que já comentaram (façam-no de novo!).