quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Polémica - Portugueses a Cantar em Inglês? (1 de 2)

EDIT: Este post faz parte dos que foram publicados com atraso, sendo concluídos apenas em Janeiro de 2009, embora pertençam a Dezembro de 2007. No entanto, o autor concluí-os como se não tivesse havido atraso algum (e ainda estivesse em Dezembro de 2007).

«O Hiphop é provavelmente a cultura internacional mais nacionalista»

Nicolau - “Qual Hiphop vs Metal?in Hiphop Kulture (28/12/2006)

Odeie-me quem quiser, mas eu não tenho qualquer problema em desenterrar assuntos (como já vem sendo hábito neste blog) que para muita gente são do passado. Na verdade, só vejo vantagens. Tenho acesso a opiniões bastante divergentes, conseguindo assim comentar algumas delas e rematar com a minha.

Para escrever este tópico, houve três fontes que achei bastante relevantes: o texto do Valete no blog da Horizontal, intitulado “Fernando Cabeça-na-Lua”; a entrevista do Sam The Kid ao Rui Miguel Abreu no Nação Hip Hop (a qual gravei em cassete); o post da Nicolau sobre esta polémica no seu blog.

Para desmistificar certas crenças que algumas (não digo a maioria) pessoas têm, há que começar por referir que esta discussão NÃO começou com a música “Poetas de Karaoke”. Já existia dentro do hip hop tuga e já existia fora do hip hop tuga. A diferença é que muitas pessoas entenderam a mensagem desta música como um ataque de um artista (Sam The Kid) de um universo específico (o Hip Hop) a outro artista (mais propriamente, artistas: os Moonspell) de outro universo (o Heavy Metal). Depois começou-se a generalizar, e a comunicação social andou a esfregar as mãos com títulos do género: “Hip Hop vs Heavy Metal” e sabe-se lá que mais. Voltemos à raiz do “problema”.

O Sam The Kid lançou em 2006 o Pratica(mente) cujo o single se chama “Poetas de Karaoke” , apresentado como um “protesto contra os músicos portugueses que cantam em inglês” (STK justificou ter escolhido a música como single afirmando que é um assunto sobre a Música). A partir daqui, a coisa descambou.

Vou tentar relatar-vos como tudo aconteceu (espero ser fiel à ordem cronológica dos acontecimentos): certos fãs de heavy metal ouviram o nome “Moonspell” na música do STK e interpretaram a mensagem da maneira errada (mais à frente explico porquê); a polémica ganhou força, os jornalistas deram conta e foram questionar o vocalista dos Moonspell, um tal Fernando Ribeiro, o qual respondeu aos comentários com uma crítica ao STK e ao Hip Hop Tuga em geral. Foram estas as suas declarações ao jornal Correio da Manhã:

«Ficámos tristes e desiludidos. Custa-nos ver músicos como o Rui Veloso pactuarem com um vídeo que, apesar de defender a nossa língua, é agressivo e completamente americanizado... (…) A comparação feita com o nome dos Moonspell é infeliz. Fizemos mais por Portugal do que qualquer banda de hip-hop. Levámos para fora poetas como Pessoa, Cesariny, José Luís Peixoto. Já gravámos em português. A nossa música tem muito mais portugalidade que o hip-hop. Cantamos em inglês porque essa é a língua de comunicação no Heavy»

- Fernando Ribeiro (Moonspell) in Correio da Manhã (Data: ???)


As declarações do STK no mesmo artigo:

«Até os admiro muito por tudo o que conseguiram. Esta canção é um alerta aos músicos que cantam em inglês para vender mais... Afinal, a Dulce Pontes e os Madredeus, que também refiro na canção, internacionalizaram-se, mas em português. (…) Canto hip-hop e, se calhar, até sou mais americanizado que o David Fonseca, que canta em inglês. Foi por isso que também me caricaturei. Sabia que iam pegar por aí.»

- Sam The Kid in Correio da Manhã (Data: ???)


Vou começar por falar da polémica. Na minha opinião, e pelos vistos está certa, dadas os comentários do Sam The Kid, não só ao Correio da Manhã como a uma série de outras entrevistas, ele não queria atacar os Moonspell. Vou-vos mostrar os versos em questão:

Querem ser os Moonspell querem novos horizontes

Mas aqui o Samuel é Madredeus é Dulce Pontes
Porque há uma identidade, vocês são todos idênticos
São autênticos mendigos vendidos por cêntimos

Acho que aquilo que despoletou esta polémica menor (dentro da polémica maior que é a discussão de se cantar em inglês ou não) foi as pessoas terem ignorado aquela parte do primeiro verso que diz “querem ser”. Se riscarem isso e voltarem a ler, realmente assim parece que o STK está a atacar os Moonspell. Só que essa parte faz toda a diferença! Se calhar se as pessoas lessem mais não teriam tantos problemas em interpretar o que outras pessoas escrevem.

«Querem ser os Moonspell». Quem? Bem, os Moonspell não são de certeza, pois que sentido faz que queiram ser eles mesmos se já o são? Para saber a quem o Sam The Kid se está a referir, tem que se ler a letra toda: o STK refere-se às pessoas que cantam em inglês tendo em vista o sucesso (especialmente o financeiro: “são autênticos mendigos vendidos por cêntimos”).

Para lerem o excerto da entrevista que transcrevi de cassete, com muito suor, para papel, ou melhor dizendo, para um documento Word, basta clicar aqui. Foi a primeira vez que fiz algo do género, e como vocês também poderiam notar se o tivessem feito, é muito diferente quando é uma entrevista dada na rádio ou para um jornal, isto porque num jornal eles “limpam” tudo, ou seja, aquelas repetições ou palavras desnecessárias (não me entendam erradamente, não estou a falar da censura) que as pessoas normalmente acabam por dizer numa entrevista oral (tal não sucede se for dada por e-mail ou Messenger). Contudo, decidi não limpar nada, incluindo, por exemplo, os “…, ‘tás a ver?” do Sam The Kid, pois dão um aspecto ligeiramente cómico à entrevista. Eu tinha a entrevista no IMEEM, mas dado que foi o IMEEM desapareceu, criei um blog para postá-la. Depois pensarei numa solução melhor.

Em breve a continuação, para responder à verdadeira questão…

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Tipos de MC's

«Todos quieren jugar / Hacerse escuchar, destacar y rimar»

Nach - “Tipos de MC's in Ars Magna (2005)

Para quem ainda não ouviu a música (que já não é novidade), recomendo vivamente que a ouçam.

O Sam The Kid tem uma justificação para não pôr as letras das suas músicas no livrinho que acompanha os seus discos: acha que cada um deve interpretar o que ele diz à sua maneira. E eu concordo. O que não impossibilita necessariamente que se forneçam as letras, até porque a sua ausência pode suscitar mal-entendidos, tal como aconteceu com a “Poetas de Karaoke”. De qualquer modo, vou explicar aqui o que me interessou nesta música do Nach que acho tão actual, e espero assim sublinhar a sua importância.

Nach separa dez tipos de diferentes MC’s, caracteriza-os individualmente e indica os defeitos de cada um. No fundo, isto é um grande ataque a muitos MC’s que se copiam todos uns aos outros. Ouvindo a música, lembrei-me de nomes para associar a alguns tipos.

Ouçam e comentem.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

CR - Apresentação Acabada!

Ora bem, trago boas notícias: a Apresentação já está acabada. No entanto só vale a pena dar uma olhadela quem não tiver lido este blog desde o princípio, já que muitas coisas já foram ditas nos posts. Peço a toda a gente, tenha ou não já comentado aqui, para deixar uma mensagem no guestbook sobre o CR, de preferência positiva (olha que eu sei onde é que moras, moço!).

Segunda boa notícia: em Dezembro pretendo postar 5 tópicos em vez dos habituais 3, de forma a compensar as faltas nos meses de Julho e Agosto. Por isso, mantenham-se atentos (e esforcem-se por comentar).

Bem, estas eram as novidades, agora aproveito para relembrar a todos que podem enviar um e-mail para cr_email@sapo.pt para ficarem inscritos na newsletter e assim serem avisados de todos os posts que eu vou pondo.

Torno a avisar também que o Guia de Hip Hop na Internet está em actualização contínua, não só no que respeita aos links dos sites e blogs (nacionais e internacionais) mas também os vídeos (clips e outros diversos). Sinceramente, acho que está muito bom e recomenda-se. Há um canal do CR no YouTube, que para já apenas contém oito vídeos, mas em breve esse número irá crescer, irei até se calhar criar uma outra playlist para os videoclips estrangeiros.

Agradeço a todos os meus leitores pela dedicação e um especial obrigado a todos os que já comentaram (façam-no de novo!).

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Onde Compras?

ATENÇÃO!
Este post contém informações sobre onde comprar discos. Para uma melhor compreensão do texto, o autor sugere que procure no dicionário as definições de comprar e disco e pede desculpa por não estarem incluídas no glossário.

Abriu há pouco tempo uma FNAC em Braga, o que significa que já não preciso de ir ao Porto para comprar CDs de rap (que estejam a um preço mais ou menos razoável). A alternativa é encomendar na Daklub, mas isso só se aplica a álbuns portugueses, e nem é a maioria.

Mesmo no Porto, é a FNAC e pouco mais. Onde se pode comprar álbuns de hip hop neste país?! Já nem se fala em lojas especializadas – temos quê? A Supafly no Bairro Alto, Marka Koktaill em Espinho e a de The Yard em Quarteira (digam-me se estiver errado, pois nunca visitei nenhuma) e há a King Size… ah, espera, essa já fechou! – por isso não há muitas dúvidas de que só quem procura mesmo o género é que o poderá encontrar (a não ser que se percam numa FNAC).

Gostava de saber qual é a loja onde compram os vossos CD’s (os de hip hop), mas não se esqueçam de referir a cidade.

sábado, 10 de novembro de 2007

Comparações

«Se dinheiro fossem rimas, tu dormias ao relento»

Mind Da Gap - Como Quem? in Sem Cerimónias (1997)

«Se Hip Hop fosse água, passava a vida a fazer xixi»

Boss AC - “Hasta la Vista in Manda Chuva (1998)

«Se Hip Hop fossem sapatos, falsos aí andavam descalços»

Fuse - Metaf'rofusão in Pa'trástoplay No Teu Melão (2001)

Se, se... Porque é que há tantas comparações nas músicas de rap tuga? Não que eu me queixe, algumas são bem engraçadas. Desta vez, peço que sejam vocês a procurar as razões.
Obrigado, estimados leitores.

«Se Hip Hop é violência, a voz é a munição»

Sam The Kid - Não Percebes in Sobre(tudo) (2002)

«Se beats fossem cafés, eu sofria de nervosismo»

Regula - Comparações in 1ª Jornada (2002)

«Sinto a música como uma mulher que me mexe por dentro»

Tekilla - Afirmando-me in Tekillogia (2004)

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Álbuns de Instrumentais

Queira-se ou não, em Portugal o Hip Hop ainda não é muito bem recebido (comparativamente com outros países), seja qual for a vertente, e principalmente pelas faixas etárias mais altas. Tocam mais aos adultos os instrumentais do que as letras, tal e qual como aos críticos.

Tomemos como exemplo o Sam The Kid: quando comecei a ouvir a música dele, o que me chamava mais a atenção eram as letras, não os beats, porque não percebia o suficiente sobre Hip Hop para os apreciar. Assim, tenho como mais antiga a imagem do STK como um grande MC do que como um grande produtor. Claro que, como entretanto aprendi mais sobre a cultura e a vertente musical, agora sempre que se fala nele associo-o às duas imagens.

No entanto, tanto dentro da pequena comunidade que apoia o movimento como o grande público tem nitidamente mais em estima o STK como produtor do que o STK como MC. As críticas nos jornais sobre o seu último álbum são constituídas por 90% de material referente às produções e uns escassos 10% sobre as letras. O único álbum de instrumentais dele conquistou muitos mais admiradores adultos do que os CDs anteriores. Isto pode ser injusto, mas nunca ninguém disse que a verdade é justa.

Os álbuns instrumentais são, portanto, extremamente importantes para o Hip Hop crescer e lá fora eles saem com grande frequência, tanto como novidades como em versões com beats de álbuns de rap, sendo os principais autores produtores e DJ’s, como o DJ Premier, Madlib ou DJ Shadow.

Cá na tuga o número é pequeno, mas aqui ficam alguns bons exemplos:

- Sam The Kid - “Beats Vol.1 - Amor” (2002)
- Colectânea “Loop:Agents - Beat Generation” (2004)
- Fuse - “Inspector Mórbido - Instrumentais” (2004)
- D-Mars aka Rocky Marsiano – “The Pyramid Sessions” (2006)


Podem ler sobre um assunto relacionado com este no blog da Horizontal, procurem um post chamado “Beat-Hoppers” (postado a 27 de Dezembro de 2006).