domingo, 23 de setembro de 2007

Videoclips

Cada vez mais, hoje em dia, os artistas musicais aderem à produção de videoclips das suas músicas, para que tenham mais visibilidade e sejam mais apelativas. Porém, também há maus aspectos nesta questão.

Comparo a transformação de uma música em videoclip, em certa medida, com a transformação de um livro em filme. Certamente já vos aconteceu – a dada altura – verem um filme baseado num livro que já leram e ficarem desiludidos com o resultado. Talvez por culpa do realizador e dos actores ou, mais provavelmente, por terem imaginado a narrativa de outra forma que não a descrita no vídeo.

Passa-se o mesmo com os videoclips. Seguramente em muitos deles não haverá qualquer problema (dependendo também da perspectiva de cada pessoa: algumas podem gerar imagens sobre o assunto porque estiveram de algum modo envolvidas com ele e outras não), mas muitas vezes, mesmo que não sejam storie tells, “pescamos” imagens e experiências nossas gravadas na memória para ilustrar (na nossa mente) aquilo que o autor está a falar. É também um dos objectivos mais importantes no rap: identificar-mo-nos com a música.

Assim, apesar de gostar de ver videoclips (mesmo com o risco de sair desiludido), não acho que estes tragam sempre só benefícios às músicas. Mas, já agora, aqui estão três videoclips recentes que eu gostei:

- Nas - “Hip Hop Is Dead” (2006)
- Kanye West c/ Rakim, Nas e KRS-One - “Classic” (2007)
- Sam The Kid - “Poetas de Karaoke” (2006)

Outros videoclips podem ser vistos nas respectivas listas (nacionais ou estrangeiros) no Guia de Hip Hop na Internet.

sábado, 15 de setembro de 2007

CR - Crítica na Exame Informática / Ponto de Situação

Há uns tempos, enviei o endereço do CR para a secção dos blogs da Exame Informática, uma revista que não vale a pena dizer sobre que é. Pretendia com isso saber o que podia melhorar no meu blog e determinar, com a ajuda dos especialistas que se disponibilizam, a sua qualidade. Foi com agrado que reparei que a edição deste mês cumpriu o meu desejo. Aqui está o artigo para quem quiser ler.

(estrofe) apela à revolta e à escrita no seu blogue inspirado e dedicado ao movimento hip hop.

Para manter
- Todo o conceito de «cultura de resistência» associado ao blogue, aos seus textos e mensagens
- A boa colecção de links temáticos
- Os vídeos associados
- A playlist dedicado ao hip hop nacional

Para corrigir
- A falta de interactividade sentida pela ausência de comentários aos posts”

Revista Exame Informática nº147 edição de Setembro de 2007

Peço-vos para lerem de novo a segunda parte, intitulada "Para Corrigir". Quem tem lido este blog, sabe que é o que tenho andado a tentar corrigir há muito tempo. Por isso, mais uma vez, peço a todo e qualquer leitor que passe por aqui para que deixe um comentário, não só para eu ter consciência das opiniões referentes aos assuntos que trato como para ter uma ideia de quantas pessoas vêm visitar aqui o blog (já que o contador de visitas não o faz).

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Peço desculpa por não ter cumprido o meu regime de 3 tópicos por mês nos meses de Julho e Agosto, mas estava um bocado apertado com outras coisas.
Algumas coisas no blog (e anexos) foram recentemente actualizadas, de forma a ficarem mais completas, espero que possam desfrutar desse trabalho. Aconselho a quem tiver tempo livre a ver alguns dos sites portugueses e estrangeiros no Guia de Hip Hop na Internet.

Ainda ando a trabalhar na apresentação do blog e peço desculpa pela demora.
Já sabem: correcções ou sugestões que queiram apresentar é só enviar um e-mail para cr_email@sapo.pt.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Storie Tells

As storie tells são um tipo de música onde o autor conta uma história, normalmente com uma moral. Sendo escritas em forma de poesia, sou particularmente fã destas canções invulgares. Já toda a gente deve ter ouvido alguma, até porque existem muitas portuguesas. Estas são das minhas preferidas:

- Sam The Kid "A Caixa" ("Entre(tanto)" de 1999)
- Sam The Kid "O Recado" ("Sobre(tudo)" de 2002)
- Ikonoklasta "Puzzle Sonoro" ("As Melhores Coisas Na Vida São de Graça")
- Boss AC "Coisas da Vida" ("Manda Chuva" de 1998)
- Mind Da Gap "... As Coisas São" ("A Verdade" de 2000)
- Sam The Kid & Regula "Tudo a Nu" ("Cool Hipnoise" de 2006)
- Sam The Kid "16/12/95" ("Pratica(mente)" de 2006)

É preciso saber construir muito bem as rimas para que elas não fiquem repetidas ou mal enquadradas, o que depois torna engraçado ouvir o autor contá-las como se saíssem espontaneamente.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Tudo a Mesma Coisa?

Na Wikipédia, a Enciclopédia Livre a categoria Hip Hop está separada em vários géneros, sendo no total 39. Ficam aqui alguns mais conhecidos:

- Abstract
- Alternative
- Gangsta
- Hardcore
- Instrumental
- Political

Agora provem-me que isto é tudo a mesma coisa.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Preços Acessíveis

«Se cada exemplar vos custa realmente 15 euros a manufacturar, então permitam-me a insolência, mas vocês ou são mentirosos ou são burros! E em qualquer das hipóteses merecem fracassar»

Ikonoklasta - “Mais Uma Intrada in As Melhores Coisas Na Vida São de Graça

O outro lado da moeda. O primeiro lado, relativo aos downloads e o consumo a partir da Net, está descrito no tópico Polémica - Internet e MP3. Para quem estiver interessado, sugiro um tema relacionado, mencionado no blog Reality Breaks Records: o tópico chama-se “O CD tá morto, Vida longa ao CD.

Como já disse, este tópico é a perspectiva adversa ao dos downloads (o que não quer dizer que se contrariem). A desculpa, válida (ou parcialmente válida) ou não, que muitas pessoas dão para não comprarem CDs e fazerem downloads da música que querem é que os CDs são muito caros. Para quem não sabe, um CD de hip hop português na FNAC anda à volta dos 15 euros, se for de hip hop estrangeiro é provável que custe mais de 20 (como a FNAC não costuma vender artistas do underground estrangeiro, só mesmo os CDs mais antigos é que podem fazer baixar a média).

Confesso que não tenho ideia dos custos das editoras ao manufacturarem os discos, mas a verdade é que os preços dos álbuns já conheceram melhores tempos. Por isso compreendo que muitas pessoas sintam relutância em comprar CDs (e isto, falando apenas do hip hop, pois outro género de música, como o rock português, pode custar tanto como um de hip hop estrangeiro). Contudo, acho que as pessoas também não deveriam generalizar e, se encontrarem um CD bom a 10 euros, eu consideraria uma boa oportunidade.

Gostava de relembrar que os autores do disco, os artistas, podem ter um papel decisivo no preço do CD. Segundo ouvi, embora não o possa dizer com certeza, o Valete fez questão de que o seu fosse barato e, embora muitos aleguem que para ele é mais fácil porque também faz parte da editora, é sempre positivo este tipo de comportamento (o Educação Visual podia ser encomendado no seu antigo site pessoal a 7 euros e tal).

Mais uma vez, como estão a ver, nem oito nem oitenta. Eu também faço downloads, especialmente de música estrangeira, mas também compro CD's. Se se derem ao trabalho de estarem atentos e compararem preços, não há desculpa para não comprar um disco de vez em quando. Também não vos incentivo a comprarem todos os que gostam, especialmente os mais famosos, pois devem reservar os tostões para os que mais precisam. Já agora, falei no papel das editoras, mas também há a confusão das taxas de IVA: sabiam que as revistas pornográficas só têm 5%, o equivalente a um “bem de primeira necessidade”, e os CD's de música não?

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Sem Meios Não Há Conquista

Só quem anda a dormir é que nunca reparou que o Hip Hop seduziu a juventude e reina agora nas rádios, que se tornou moda e que está em todo o lado, desde pastilhas elásticas a toques de telemóvel.

Todas estas características dariam para dizer que o Hip Hop tinha conquistado Portugal; não fosse haver um pertinente problema: onde está a indústria musical? Onde estão as grandes editoras, as revistas de Hip Hop, os estúdios, os festivais e os grandes concertos? Onde estão as provas mais consistentes de que o Hip Hop realmente teria conquistado Portugal? Será que lhe poderemos chamar de “Nação Hip Hop”, ou esta expressão continuará a só poder aplicar-se a pessoas “de dentro” e aos ouvintes mais dedicados?

Já ninguém, mesmo as pessoas que não simpatizam com a cultura, afirma que o Hip Hop continua a ser uma coisa desconhecida. Nos EUA a indústria até conseguiu que ele rendesse bem (e quase o matou!) mas parece que a indústria portuguesa não notou isso (ou então é aquela coisa dos portugueses estarem sempre atrasados).

Seja como for, penso que, por muito bons projectos que sejam, um programa de rádio (“Nação Hip Hop”), um programa de televisão (“Beatbox”) e uma revista virtual (“IV Street”) não bastam para sustentar o rap em Portugal, muito menos a cultura Hip Hop.