quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Storie Tells

As storie tells são um tipo de música onde o autor conta uma história, normalmente com uma moral. Sendo escritas em forma de poesia, sou particularmente fã destas canções invulgares. Já toda a gente deve ter ouvido alguma, até porque existem muitas portuguesas. Estas são das minhas preferidas:

- Sam The Kid "A Caixa" ("Entre(tanto)" de 1999)
- Sam The Kid "O Recado" ("Sobre(tudo)" de 2002)
- Ikonoklasta "Puzzle Sonoro" ("As Melhores Coisas Na Vida São de Graça")
- Boss AC "Coisas da Vida" ("Manda Chuva" de 1998)
- Mind Da Gap "... As Coisas São" ("A Verdade" de 2000)
- Sam The Kid & Regula "Tudo a Nu" ("Cool Hipnoise" de 2006)
- Sam The Kid "16/12/95" ("Pratica(mente)" de 2006)

É preciso saber construir muito bem as rimas para que elas não fiquem repetidas ou mal enquadradas, o que depois torna engraçado ouvir o autor contá-las como se saíssem espontaneamente.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Tudo a Mesma Coisa?

Na Wikipédia, a Enciclopédia Livre a categoria Hip Hop está separada em vários géneros, sendo no total 39. Ficam aqui alguns mais conhecidos:

- Abstract
- Alternative
- Gangsta
- Hardcore
- Instrumental
- Political

Agora provem-me que isto é tudo a mesma coisa.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Preços Acessíveis

«Se cada exemplar vos custa realmente 15 euros a manufacturar, então permitam-me a insolência, mas vocês ou são mentirosos ou são burros! E em qualquer das hipóteses merecem fracassar»

Ikonoklasta - “Mais Uma Intrada in As Melhores Coisas Na Vida São de Graça

O outro lado da moeda. O primeiro lado, relativo aos downloads e o consumo a partir da Net, está descrito no tópico Polémica - Internet e MP3. Para quem estiver interessado, sugiro um tema relacionado, mencionado no blog Reality Breaks Records: o tópico chama-se “O CD tá morto, Vida longa ao CD.

Como já disse, este tópico é a perspectiva adversa ao dos downloads (o que não quer dizer que se contrariem). A desculpa, válida (ou parcialmente válida) ou não, que muitas pessoas dão para não comprarem CDs e fazerem downloads da música que querem é que os CDs são muito caros. Para quem não sabe, um CD de hip hop português na FNAC anda à volta dos 15 euros, se for de hip hop estrangeiro é provável que custe mais de 20 (como a FNAC não costuma vender artistas do underground estrangeiro, só mesmo os CDs mais antigos é que podem fazer baixar a média).

Confesso que não tenho ideia dos custos das editoras ao manufacturarem os discos, mas a verdade é que os preços dos álbuns já conheceram melhores tempos. Por isso compreendo que muitas pessoas sintam relutância em comprar CDs (e isto, falando apenas do hip hop, pois outro género de música, como o rock português, pode custar tanto como um de hip hop estrangeiro). Contudo, acho que as pessoas também não deveriam generalizar e, se encontrarem um CD bom a 10 euros, eu consideraria uma boa oportunidade.

Gostava de relembrar que os autores do disco, os artistas, podem ter um papel decisivo no preço do CD. Segundo ouvi, embora não o possa dizer com certeza, o Valete fez questão de que o seu fosse barato e, embora muitos aleguem que para ele é mais fácil porque também faz parte da editora, é sempre positivo este tipo de comportamento (o Educação Visual podia ser encomendado no seu antigo site pessoal a 7 euros e tal).

Mais uma vez, como estão a ver, nem oito nem oitenta. Eu também faço downloads, especialmente de música estrangeira, mas também compro CD's. Se se derem ao trabalho de estarem atentos e compararem preços, não há desculpa para não comprar um disco de vez em quando. Também não vos incentivo a comprarem todos os que gostam, especialmente os mais famosos, pois devem reservar os tostões para os que mais precisam. Já agora, falei no papel das editoras, mas também há a confusão das taxas de IVA: sabiam que as revistas pornográficas só têm 5%, o equivalente a um “bem de primeira necessidade”, e os CD's de música não?

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Sem Meios Não Há Conquista

Só quem anda a dormir é que nunca reparou que o Hip Hop seduziu a juventude e reina agora nas rádios, que se tornou moda e que está em todo o lado, desde pastilhas elásticas a toques de telemóvel.

Todas estas características dariam para dizer que o Hip Hop tinha conquistado Portugal; não fosse haver um pertinente problema: onde está a indústria musical? Onde estão as grandes editoras, as revistas de Hip Hop, os estúdios, os festivais e os grandes concertos? Onde estão as provas mais consistentes de que o Hip Hop realmente teria conquistado Portugal? Será que lhe poderemos chamar de “Nação Hip Hop”, ou esta expressão continuará a só poder aplicar-se a pessoas “de dentro” e aos ouvintes mais dedicados?

Já ninguém, mesmo as pessoas que não simpatizam com a cultura, afirma que o Hip Hop continua a ser uma coisa desconhecida. Nos EUA a indústria até conseguiu que ele rendesse bem (e quase o matou!) mas parece que a indústria portuguesa não notou isso (ou então é aquela coisa dos portugueses estarem sempre atrasados).

Seja como for, penso que, por muito bons projectos que sejam, um programa de rádio (“Nação Hip Hop”), um programa de televisão (“Beatbox”) e uma revista virtual (“IV Street”) não bastam para sustentar o rap em Portugal, muito menos a cultura Hip Hop.

sábado, 30 de junho de 2007

O Valor das Letras

«Editoras e jornais e esses tais intelectuais, não percebem rimas, só instrumentais»

Sam The Kid - “A Partir de Agora in Pratica(mente) (2006)

Nas críticas dos jornais a álbuns de hip hop pode-se constatar que os autores dão muita importância aos instrumentais, ao papel do produtor. Talvez até demais.

Mas há quem diga que cada vez menos. O problema é que muitos críticos ainda não perceberam o quão importante é a mensagem no rap, como a insatisfação dos criadores do género relativamente à sociedade teve implicações directas na forma como este se desenvolveu. Mas quando estamos a falar de letras, não é devemos dar atenção só ao aspecto da mensagem, mas também há construção dos versos em si. Existem muitos rappers que não são grandes poetas simplesmente porque não sabem construir uma letra. Não têm cuidados com os versos que escrevem, fazem tudo à toa e a estética, o som que dá quando a letra é ouvida é, na minha opinião, muito importantes para se ser um bom rapper.

Talvez por a mensagem não ter tanto impacto noutros géneros musicais, muitos críticos não consideram as rimas algo tão explorável e interessante como os instrumentais. Porquê? Na grande maioria dos géneros musicais, as pessoas tocam instrumentos, e isso normalmente é muito mais admirado do que as que sabem escrever um simples letra. No rap, em que normalmente não se toca instrumentos, mas existem produtores para cuidarem da base musical, os instrumentais não deixam de poder ser admirados, já que podem ser tão complexos como os que são tocados pelas pessoas que os fazem. Mas aquilo que os MC’s dizem por cima foi ganhando relevo no passado (já que faço nisto, será que darão a devida importância às letras de outros géneros?) e hoje já vão muito mais longe do que um simples “ponham as mãos no ar!”.

Proponho também outra pergunta para reflexão: será que o facto de os Estado Unidos estarem atolados de hip hop americano, onde as mensagens passadas falam geralmente de perspectivas materialistas e pouco mais (resumindo, lixo de que ninguém quer saber), ajudou a que os críticos desvalorizassem o poder da poesia no rap? Estejam mais atentos quando lerem críticas nos jornais ou revistas e depois comentem aqui no blog.

domingo, 24 de junho de 2007

À Volta do Centro Também Há Hip Hop

«Às vezes o Porto fica um bocado à parte»

Presto em entrevista ao Nação Hip Hop

Sim, é verdade: Portugal não é só Lisboa. Também existe o Porto, Braga, Coimbra, Viseu, Beja, Évora, Faro, Santarém, … Ainda é grandito.

Mas às vezes parece que não. Sobretudo quando há pessoas que abrem um olho para a capital e fecham o outro para o resto. Sabem aquela “doença” que muitos americanos têm, que os faz pensar que não existe mais terra para além dos Estados Unidos? Deve haver uma variante dessa doença, menos perigosa e ainda assim irritante, que tem a pequena diferença de, em vez de se centralizarem as atenções nos EUA, é Lisboa que está no centro. Pena que só afecte os portugueses, senão até era uma boa oportunidade para expandir o turismo.

Algumas pessoas acharão isso normal, que o Hip Hop na capital tenha mais notoriedade que nas outras cidades, mas não é. Começo por desmontar a ilusão (para quem a tiver) de que o Hip Hop lisboeta é superior ao feito nas outras regiões. Vou falar mais do hip hop nortenho porque é aquele que me está mais próximo (naturalmente), e no final falarei também de outras zonas. Em termos de diversidade, o Porto está muito bem apetrechado, talvez não tanto como Lisboa (também não existem tantas influências culturais) mas está muito perto (espera… Qual foi a cidade que foi a capital europeia da cultura em 2004?). Em termos de qualidade, a diferença não existe. A capital do Norte tem também muita originalidade no rap que faz. Também temos b-boys a dançar breakdance no metro, por isso também não é por aí que podem atacar. E sim, as paredes do Porto já foram assaltadas muitas vezes por writers (um deles, Caos, em entrevista ao H2T, disse, referindo-se ao tempo em que começou a pintar: “foi numa época complicada, onde não se viam muitos trabalhos. Os que haviam por aí, eram do Ace e de algum pessoal que vinha cá em cima, ao Porto”).

Também noutros aspectos o Porto está muito desenvolvido no que toca à cultura Hip Hop: temos festivais com grande presença da cultura, um editora que já lançou muitos discos (diga-se de passagem, uma das mais interessantes) e outras menores (como a Ace Produktionz), temos um bar muito conhecido chamado Hard Club (e não preciso de dizer mais nada) e, finalmente, temos grupos que tornaram-se muito importantes, como os Mind Da Gap, ou os recém-chegados Mundo Secreto (e ainda os Dealema).

Para não ficarem com a ideia que é só o Norte que se integra no mesmo patamar do de Lisboa, podemos olhar para o Sul, onde temos também editoras, como a Covil Produções e a Sub-Cave Records. Temos grupos muito conhecidos como os Guardiões de Subsolo. Convém referir, como já o fiz num tópico anterior (“Além do Tejo”), o hip hop alentejano tem vindo a crescer imenso e em tão pouco tempo.

Com tudo isto quero apenas mostrar o quanto injusto é pôr um limite à volta da cidade dos alfacinhas e deixar o resto de lado. Acreditem ou não, isso incentiva a esta guerra que por vezes se vê entre Lisboa e Porto (Centro e Norte). Eu gosto imenso do hip hop lisboeta, principalmente porque não se diz “o”, mas “os”, já que há grupos que não têm realmente comparação uns com os outros. No entanto, tenho também um grande orgulho por ser cá do Norte, adoro o hip hop portuense e acho que as pessoas deviam perguntar-se o quanto custou para que as pessoas que estão envolvidas nestes projectos (e como viram, se há algo que não lhes podem chamar é “meninos mimados”) conseguiram, com pouca ou sem ajuda, alcançar uma fasquia tão alta. Biba ó Porto, carago!