domingo, 17 de junho de 2007

Os Púdicos que vão para o...

«E se vocês, ou os vossos pais são púdicos demais para ignorarem as asneiras, essa parte do vocabulário que faz parte do nosso léxico e se concentrarem só na mensagem, no que realmente interessa, eh pá, eu respeito a vossa opinião, são observadores e quê, eh pá, é a vossa opinião, mas vocês são otários, e por isso vão pró caralho!»

Ikonoklasta - “Mais Uma Intrada in As Melhores Coisas da Vida São de Graça

… caralho que os foda! Questão importante: se os palavrões fazem “parte do vocabulário” e, tal como as outras palavras, servem para comunicar (neste caso sentimentos fortes), porque não usá-los? Toda a gente sabe que não são só as pessoas mal-educadas que dizem asneiras, pois toda a gente as usa, umas com mais frequência e outras com menos.

É verdade que existem muitas palavras, principalmente no calão americano, que não são "aplicadas correctamente" (como bitch, que muitos rappers usam para falar das mulheres, mesmo que não queiram insultá-las), mas isso não se verifica só no rap e não é porque muitos dos MC’s vêm do ghetto que também se justifica isso, mas sim porque têm que ser usadas! Ninguém vai dizer que era melhor tirar o “caganeira” e outros tantos do Auto da Barca do Inferno ou que o Gil Vicente os deveria ter substituído por palavras mais moderadas, portanto porquê a indignação? Será que as mesmas pessoas que criticam o rap por essas razões não vêem filmes norte-americanos? Nem nunca virão uma peça de teatro em que se soltasse uma praga ou obscenidade, nem nunca ouviram fado? E quando acertam com o martelo no dedo, gritam “Meu Deus!”?

Há muita hipocrisia nestas críticas e se esses mesmos hipócritas não se automentalizam, ou mentalizam os seus pais, de que as asneiras existem para serem usadas quando é preciso e que quem lhes dá o valor que têm é a sociedade (não, não têm nenhum poder mágico), estão a cometer uma grande estupidez. Eu não digo que não se deva ter cuidado, porque se exagerar nos palavrões, comete-se três erros: retira-se o impacto que o palavrão tem (se começarmos a ouvir dizer muitas vezes “Filho da puta” aquilo vai criar cada vez menos choque, tal e qual como o “bitch” nos EUA); a linguagem torna-se aborrecida e uma demonstração de violência barata; aparecem lixos semânticos como este: “Fuck me, I’m fucked if I fucking know what to fucking do, the fucking fucker’s fucking fucked up and fucked off” (Your Mother’s Tongue: Book of European Invective de Stephen Burgen).

Finalmente, é importante que as pessoas tenham consciência de que palavras são palavras, quem lhes dá o poder é quem as diz (tal e qual como Vergílio Ferreira e a palavra “inócuo”). Pode-se fazer excelentes poesias com palavrões, assim como o contrário, e por muito que isso impressione muita gente, não devemos limitar o vocabulário à nossa disposição só porque alguns puritanos embirram com uma parte. Por isso a minha mensagem para esses puritanos também é: vão pró caralho!


«É frequentemente verdade que a ordinarice de um homem é o lirismo do outro»

Declaração do Juiz num processo sobre ofensa aos bons costumes
(retirado do livro
A Língua da Tua Mãe, de Stephen Burgen, 1º Ed.)

Existe uma notícia relacionada com o tema, acerca do fundador da Def Jam querer "banir palavras ofensivas" (in Diário de Notícias).

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Cultura de Esperança

«Estão a ser criadas condições para acontecer algo de sério muito em breve»

Rui Miguel Abreu in “O Público (14 de Abril de 2002)

O momento crucial chegou em 2004. Correcção: o segundo momento crucial, dez anos depois do primeiro, que veio com a colectânea Rapública e a tão famosa expressão “não sabe nadar”. Numa reportagem d’ O Público, Vítor Belanciano escreveu que “eles acreditam tanto que apetece acreditar com eles”. Para além de uma cultura de resistência, de uma cultura de intervenção, de uma cultura urbana, Hip Hop é uma cultura de esperança. Acreditamos sem restrições, persistindo e mantendo viva a esperança até um dia atingirmos o nosso objectivo: mudar o que há a mudar. Na música, na sociedade, seja onde for. E não se pense que por sermos uma cultura não há divergências (também temos direito a elas). Cada um acredita nas suas perspectivas, com semelhanças aqui e ali, unidos sem ser preciso conhecermo-nos, lutamos para vermos cumpridos e aceitados os nossos princípios, mesmo que muitos dos nossos desejos sejam utópicos.

Apesar de estas duas vagas (uma delas ainda a decorrer) terem tido efeitos visíveis, continuamos sem ver os resultados das versões política e cultural do Hip Hop: não vemos grandes revoluções em Portugal, na música ou na atitude dos portugueses; não vemos grandes apostas das editoras noutros estilos de música nem apoio das pessoas em grupo mais originais. Muitos jovens renderam-se ao rap, mas existe ainda muitos preconceitos e hostilidade em relação a esta cultura (exemplo: a maneira como muitos encaram o graffiti). Apenas alguns indícios, como a mudança em 2004, podem sugerir-nos que um dia o movimento hip hop tuga marcará realmente Portugal.

É por isso que tenho orgulho no espírito que predomina, ainda que às vezes abalado, na versão portuguesa da cultura Hip Hop. Temos muitos nomes, muitos grupos, muitos artistas e não só, que fizeram muito por esta cultura. Uns só contribuiram no início mas não conseguiram aguentar, outros apareceram já depois da old school e, outros, não só suportaram o movimento no seu início, como o apoiaram e resistiram até agora, sem se deixarem corromper. É a esses que dedico este tópico. Obrigado!

«MC's de Portugal, chegou o momento crucial»

Líderes da Nova Mensagem - “O Rap é Uma Potência in Rapública (1994)

Para ver o resto do artigo, vejam no H2Tuga.

terça-feira, 22 de maio de 2007

CR - Cinco Meses Depois...

Aproximadamente cinco meses depois deste blog ter sido criado, posto o segundo tópico do tipo CR para vos relembrar as novidades e fazer o ponto da situação. Publiquei 17 textos, incluindo este, até agora. Aos que não lêem este blog desde o início, aconselho a leitura do outro blog com este rótulo: “CR – A Apresentação”. Em breve estará pronto um anexo com a apresentação, agradecimentos, etc. (ver links pertencentes ao CR).

Já que falo em novos leitores, peço-lhes também que leiam os tópicos mais antigos, pois não estão de certeza muito desactualizados. Tenho tido o cuidado de não pôr títulos artísticos nos tópicos para que se possa perceber facilmente qual o assunto do conteúdo de cada um a partir dos arquivos.

Já que também falei em anexos, alerto-vos para o facto de, para quem ainda não se apercebeu, terem sido criados (e um ou outro ainda em desenvolvimento) anexos (ver secção “Cultura de Resistência” na coluna da direita – coluna dos links). Foi criado um glossário com palavras mais ou menos básicas que servem de ajuda aos iniciados nesta cultura (se é que algum lê este blog). Criei também um Guia de Hip Hop na Internet, que se foca mais nos sites relacionados com o Hip Hop Tuga, e que neste momento ainda está a ser aperfeiçoado. Está a ser criado (mas ainda não está postado) um anexo, como já disse, com a apresentação deste blog, agradecimentos, etc.

Gostaria de realçar o facto de muito destes tópicos terem sido criados com semanas de antecedência e, por isso, alguns acontecimentos que são relatados como recentes não o serem na realidade.

Tenho estado a planear e listar nomes que poderão futuramente ser convidados para escrever um tópico para este blog (tópicos do tipo “Convidado”), como tinha prometido fazer.

Para além dos tópicos, existem muitos conteúdos na barra/coluna da direita, que acredito serem úteis e interessantes: para além dos predefinidos pelo Blogger (o servidor deste blog), como o meu perfil e os arquivos, existem outras ferramentas, como o Relógio e a Pesquisa. Mas não são estes aqueles para os quais quero-vos chamar a atenção, mas antes estes: a “Citação do Mês”, que no princípio não tinha nenhuma condição (a não ser ter que ser relacionada com o Hip Hop, claro), mas agora é actualizada (com um atraso no máximo de uns meses); a Playlist, com muitas músicas, tanto portuguesas como estrangeiras, de hip hop; a secção do vídeo, mudada de tempos em tempos (normalmente seleccionado entre os últimos que saíram) e com um link para o canal do CR no YouTube; as várias secções dos links, desde sites a blogs, editoras, páginas pessoais, locais que acolhem artistas da nossa cultura com frequência, etc.; links para videoclips e outros vídeos (quase todos do YouTube) de que eu gostei (estas secções são actualizadas com frequência) – os vídeos dos respectivos links são dos anos 2006 e 2007; os serviços que este blog disponibiliza, como divulgação de eventos, grupos, concursos, etc. podem ser lidos em baixo de tudo (inscrevam-se na newsletter). Ah, e também existe uma secção de publicidade, recentemente mudada para mais perto do topo, com banners de sites que o CR aprova.

Por isso, repito, o CR disponibiliza-se para divulgar todo o tipo de eventos, grupos, novidades, concursos, desde que estejam relacionados com esta cultura, de preferência na sua versão portuguesa.

Já agora, tenho, desde o princípio, e provavelmente já repararam (ou então não prestam atenção, hmm!), que em muitos dos tópicos eu ponho citações. Provavelmente para muitos será um hábito irritante, que eu admito que talvez seja um bocado. Mas para que possam tolerar melhor esta mania, vou-vos explicar quais são os meus objectivos. Não é gabar-me da minha sabedoria (que na realidade não tenho), mas sim fazer ver às pessoas que: 1- as letras de hip hop português merecem ser ouvidas); 2- muitos dos temas de que eu falo (ou melhor, que escrevo) aqui no blog são tratados nas músicas também; 3- eu não invento teorias/filosofias ou justificações do nada, mas antes que vou recolhendo bocados daqui e dali e juntá-los e moldá-los com aquilo que eu próprio penso; 4- existem muitos que concordam com o ponto que estou a referir (ainda que eu ache que isso não deva ter impacto na opinião das pessoas).

Podem ter sido introduzidas, e muitas vezes esse é um dos propósitos, servir como um resumo muito curto do assunto que eu vou falar (tal como aqueles subtítulos dos jornais). Além disso, há a razão mais óbvia, que é a citação ter-me inspirado para escrever o tópico. Para o caso de as citações não terem sido retiradas de músicas ou proferidas por qualquer pessoa ligada ao Hip Hop, apenas o primeiro e segundo ponto não se aplicam.

Também quero prevenir-vos de que eu não sou nenhum expert em cultura Hip Hop, nem os textos reflectem isso. Posso não ser propriamente um iniciado, mas também não me considero muito mais. É, por isso, natural que possam encontrar erros nos meus tópicos e, caso o façam, eu acolherei os vossos avisos com gosto e corrigirei caso concorde convosco.

Apelo outra vez à vossa piedade para que deixem um comentário no caso de acharem que podem fazer uma crítica pertinente ou acrescentar algo. Escrevi no tópico anterior (deste tipo) que preferia comentários sobre o tópico em si a elogios. Ora isto, ainda em que seja verdade, não quero que seja mal entendido. Não censuro ninguém se postarem um comentário apenas para elogiar-me, agradeço imenso, apenas quero pedir-vos que não se limitem a isso, principalmente aqueles que não têm outros blogs (senão até parece mal, como um músico em que o público é exclusivamente constituído pelos amigos dele).

Aproveito para dizer que em breve irei postar um novo tópico deste tipo para agradecer a todos os que me apoiaram, mas como este blog ainda é recente provavelmente ainda vai haver muitas pessoas, espero, a quem eu vou precisar de agradecer, por isso só irá ser postado daqui uns meses.

Para fazer o ponto de situação mais facilmente, fiz um questionário a que gostava que me respondessem e enviassem para o meu e-mail (ou então as respostas podem ser inseridas num comentário a este tópico):

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QUESTIONÁRIO

1- Estás satisfeito com a diversidade/qualidade dos assuntos que são aqui tratados?
2- O que achas do regime de postagem (número de posts por mês)?
3- Qual é a tua opinião sobre a filosofia deste blog?
4- Comenta cada uma destas secções:

- a)Playlist;
- b)Vídeo e o Canal CR no YouTube;
- c)Anexos (Guia e Glossário);
- d)Links (Hip Hop Português, Editoras & Lojas, Blogs, Páginas Pessoais, Concursos, Locais, Diversos)
- e)Links para vídeos (Videoclips portugueses, Videoclips estrangeiros, Vídeos sobre Graffiti, Vídeos sobre Breakdance, Outros Vídeos)
- f)Serviços

5- Que conclusões tiras sobre a veracidade da informação que foi dada aqui?
6- Qual é a tua opinião acerca das citações muitas vezes acopladas aos textos?
7- Tens mais algum comentário a fazer?

Queria informar-vos melhor, para o caso de ainda não terem entendido bem, a filosofia deste blog: não estou interessado em falar só de assuntos recentes (apesar de também não os pôr de parte) nem em escrever sobre matérias mais pessoais, mas sim em tratar temas que interessam, sobre os quais se possa reflectir e formar a nossa opinião (não quero pôr em causa os factos mas sim as ideias), relacionados com o Hip Hop. Resumindo, obrigar-vos a pensar sobre esta cultura.

Estou também preocupado com a coluna da direita porque o meu irmão disse-me que achava que aquilo tinha para lá muita tralha que não tinha interesse, ou que então deveria passar para um dos anexos. Mas isso é a opinião dele. Obrigado pela vossa atenção. Já sabem: comentem e esclareçam!

terça-feira, 8 de maio de 2007

A Verdade Que Muitos Não Dizem

«Vocês são os primeiros responsáveis pela destruição da música»

Valete - Pela Música Parte 1 in Serviço Público (2006)

Começo logo ao ataque: existem muitas pessoas (que vão desde MC’s do underground até aos já tão criticados utilizadores de fóruns de hip hop português) que têm uma atitude muito estranha: dizem coisas do género “eu digo tudo na cara” e “eu digo sempre a verdade” mas quando outra pessoa realmente diz a verdade ficam chocados. Porquê? Pura hipocrisia. O caso particular que me inspirou para este tópico foi o do Valete, resumido por estas duas citações acopladas ao texto (mas convêm ouvir melhor a música).

A faixa, de nome “Pela Música Parte 1”, ataca vários grupos que prejudicam esta arte, os quais vão desde os simples ouvintes à comunicação social. O facto de não estar em verso permitiu uma maior crueza, que não seria possível em forma de poesia. Isto não tem nada de mal, antes merece parabéns, já que releva aquilo que o autor realmente pensa. No entanto, há quem não tenha suficiente coragem...

Esses MC's, ou quaisquer outras pessoas que adoptem essa hipocrisia, não cumprem a regra de ouro, então nem sequer deveriam criticar quem a cumpre. Não deveria haver espanto ou choque, e eu pessoalmente aplaudo o discurso do Valete.

«Alguns manos que já me conhecem e já me tinham ouvido dizer coisas parecidas ficaram chocados porque eu pus aquilo no álbum»

Valete - Entrevista do H2Tuga (2006)

sábado, 28 de abril de 2007

Morto?

«It's a pretty good chance you're the reason it died, man»

Nas - Hope in Hip Hop Is Dead (2006)

Já devem ter reparado que anda a passar, já há algum tempo, o single “Hip Hop Is Dead” de Nas, que dá nome ao último álbum do autor. Aproveito para dizer que tanto o beat (da autoria de Will.i.am) como a letra estão, como é habitual na discografia deste artista, excelentes. Todo o CD ronda à volta do assunto da comercialização do Hip Hop e naquilo que se tornou nos dias de hoje (em particular nos Estados Unidos). “Who Killed It?” e “Hope” são outras faixas que provam isso (e igualmente aconselháveis).

Mas vamos à temática: Nas aborda, descreve e critica a fusão do Hip Hop com a indústria (em excesso), que é uma preocupação que é também válida noutros países, como a França, Alemanha, Inglaterra, etc. Em Portugal acho que não se verifica uma situação tão grave, apesar de não haver dúvidas de que o Hip Hop já está na moda. Mas, mais do que a questão das editoras, a parte mais preocupante é a atitude dos artistas.

Concentremo-nos no estado da cultura nos EUA: o Hip Hop está em alta, vende milhões e compete com outros géneros musicais poderosos como o Pop e o Metal; rappers que anteriormente viviam no ghetto agora vivem em grandes casas e fundam majors que os tornam ainda mais ricos; esta situação é real já há algum tempo, o que deu tempo para o mercado se habituar. Resultado: a indústria da música define o Hip Hop como uma prioridade e encara-o como uma mina de ouro; os rappers que anteriormente falavam dos ghettos onde viviam, agora falam dos casarões onde vivem; a criação de editoras por parte dos mesmos reforça a monopolização do mercado. Não se surpreendam portanto por verem rappers a exibirem dentes e colares de ouro, sentados em limusines a beber vinho de boa colheita, pois a vida deles agora é mesmo assim. É legítimo que eles esvaziem a cultura de todo o seu conteúdo positivo e a usem em proveito próprio? Não. Ainda que eles possam ter percorrido o caminho até ao sucesso sem nada a condenar (ou talvez não), isso não lhes dá o direito de parar de contestar e de denunciar e passarem a falar da boa vida que levam. Enquanto ricos, têm muito mais oportunidades para apoiarem o movimento, que era o que deveriam fazer, em vez de o destruírem e “sujarem” com a pura exploração que fazem dos seus fãs. A metáfora é usada para exprimir isto tudo, quando o Hip Hop deixa de ser Hip Hop, ou seja, “morre”, porque ele nunca terá como lema “bebam, tomem drogas, façam sexo” (50 Cent).

Todo este drama é lamentável, e espero que não aconteça o mesmo em Portugal (o facto de sermos um país pequeno ajuda-nos neste caso). O Hip Hop está morto? Não. Quanto muito poderia dizer-se que nos EUA está em “estado de coma”. Mas enquanto existirem pessoas como Nas, KRS-One, Immortal Technique e outros tantos, o Hip Hop americano não morrerá, e muito menos nos outros países.

«If hip hop should die we die together»

Nas - Hip Hop Is Dead in Hip Hop Is Dead (2006)

Para saber mais sobre este assunto, vejam o artigo do Hip Hop DX.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Quando foi?

É estranho como acabamos por nos esquecer da primeira vez de (quase) tudo. Ah, lá estou lá eu a divagar. Relativamente ao hip hop tuga, diria que comecei a ouvir há uns seis anos (por volta de 2001). Falo do hip hop tuga, porque o hip hop em geral foi quando andava na escola primária, houve aquela primeira onda do Eminem. A esse, só lhe agradeço a divulgação (é uma das poucas vantagens de estar na moda), porque tenho muitas mais razões para o insultar. Acho que o grande ídolo do rap, aquele que realmente me marcou, foi o Gabriel o Pensador, com o seu EP, que tenho um original cá em casa, cortesia do meu pai. Também foi da cortesia do meu pai o original da colectânea Rapública, mas na altura ela não me despertou curiosidade (também não sabia o que simbolizava). Para vos dar um exemplo dos efeitos do “Gabriel, o Pensador”, lembro-me que com apenas 11 anos escrevi um poema baseado na música “Retrato de Um Playboy (Juventude Perdida)”, com um título ligeiramente diferente (calma, não comecem a chamar-me fake) mas sem qualquer semelhança no conteúdo (claro está, muito pior).

Nessa primeira fase, acreditem ou não, não me lembro de outros rappers que ouvisse, para além de Eminem (e Dr. Dre e companhia, obviamente) e o grande Gabriel (talvez mais alguns americanos). No quarto ano descobri o hip hop tuga. A primeira imagem que tenho (mas que pode ser enganadora) é a de estar a ouvir uma cópia do EP dos Guardiões de Subsolo (a quem agradeço). Quanto ao resto já falei aqui: Sam The Kid, Mind Da Gap, Boss AC, Da Weasel, etc. O que importa relatar é que continuo a gostar da música deles (e de outros que entretanto descobri).

O facto de ter começado a ouvir hip hop na escola primária (quem ler isto até pensa que vivo num ghetto) fez-me ter um conhecimento do hip hop português que não poderia nunca obter de outra forma. Consigo ver pelos fóruns da Internet sobre hip hop que esta moda (“falsa moda”) foi fulcral para arranjar novos adeptos (basta ver o número de pessoas que começaram a ouvir desde à três anos para cá). Nunca poderão saber como era o hip hop antes desta mais recente onda, assim como eu nunca poderei saber como era a old school aqui, já que estava virado para outras nacionalidades na altura (para além de ser um iniciado). Com tudo isto, lamento ainda não me ter envolvido (mas não perco a esperança) em alguma crew ou grupo de pessoas que realmente gostassem de hip hop (sempre achei que isso era difícil em Braga, apesar de nestes últimos meses se ter provado que estava enganado).

Façam agora esta pergunta a vocês mesmos e comentem aqui no blog quando foi e, já agora, como foi a primeira vez que estabeleceram contacto com esta cultura, seja através do rap, breakdance, graffiti ou qualquer outra vertente.